OS TRABALHADORES DO MAR (prólogo)

Victor Hugo

 

Texto traduzido por Alexandre Camanho de Assis

 

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Victor Hugo, “Polvo com as iniciais VH”, 1866

 

A religião, a sociedade, a natureza, tais são as três lutas do homem. Estas três lutas são, ao mesmo tempo, suas três necessidades: é preciso que ele creia, daí o templo; é preciso que crie, daí a cidade; é preciso que viva, daí o arado e o navio. Mas estas três soluções contêm três guerras. A misteriosa dificuldade da vida exsurge de todas as três. O homem lida com o obstáculo sob a forma superstição, sob a forma preconceito, e sob a forma elemento. Um triplo ananke¹ pesa sobre nós, o ananke dos dogmas, o ananke das leis, o ananke das coisas. Em Notre-Dame de Paris, o autor denunciou o primeiro; em les Misérables, assinalou o segundo; neste livro, ele indica o terceiro.

 

A estas três fatalidades que envolvem o homem mistura-se a fatalidade interior, o ananke supremo, o coração humano.

 

Hauteville House, março de 1866.

 

 

1 Na mitologia grega, Ananke (Ανάγκη) era uma divindade que personificava o Destino, a necessidade inexorável. Em Roma, chamava-se Necessitas.

 

 

 

 

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